Em São Paulo, empresas de construção civil e do ramo imobiliário são as que mais doam aos políticos e partidos. Nas eleições municipais de 2012, elas foram responsáveis por mais de 57% das doações feitas somente aos diretórios nacionais de partidos que elegeram os vereadores da cidade
Por Sabrina Duran e Fabrício Muriana
Infográfico Thomaz Rezende
Arte Fernanda Machado
Doação de campanha é fator crucial para entender o desenvolvimento de políticas públicas. Quem doa a um candidato é quem está interessado nos rumos da cidade, seja pessoa física ou jurídica. E quem está interessado nesses rumos costuma exigir do seu candidato eleito políticas públicas à altura daquilo que considera o melhor para a cidade. Em São Paulo, empresas ligadas ao setor de construção civil e do ramo imobiliário são as que mais doam aos políticos e partidos. Nas eleições municipais de 2012, elas foram responsáveis por mais de 57% das doações feitas somente aos diretórios nacionais de partidos que elegeram os vereadores da cidade.
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| Reprodução do site. Para ver o Infográfico e todos os arquivos utilizados na apuração basta clicar AQUI ou na imagem acima. |
Analisamos as planilhas de doações feitas aos 55 vereadores e 6 suplentes eleitos, além dos diretórios e comitês de seus partidos, e apontamos quanto cada um recebeu dessas empresas e quais destas mais doaram a cada um deles. Por que escolhemos analisar as receitas dos vereadores? Porque são eles que, primeiro, elaboram projetos e leis para a cidade que só depois o Executivo colocará – ou não – em prática. Eles também são responsáveis por fiscalizar as ações do prefeito quanto à gestão da cidade e utilização das verbas públicas. Sendo assim, formam o corpo mais “estratégico” da administração municipal, e é sobre eles, em primeiro lugar, que os interessados em conduzir a cidade fazem pressão para terem seus pedidos atendidos.
Para ver o Infográfico e todos os arquivos utilizados na apuração basta clicar AQUI ou na imagem acima.
Sobre o Arquitetura da Gentrificação
O Arquitetura da Gentrificação* (AG) é um projeto de investigação da jornalista Sabrina Duran realizado em parceria com a Repórter Brasil sobre as medidas de higienização social adotadas durante as duas últimas administrações municipais de São Paulo (2005-2012) no centro da capital. Como foco principal da investigação estão as relações entre poder público e empresas privadas do setor de construção civil e ramo imobiliário.
Por meio de um conjunto de reportagens que abordam diferentes faces do mesmo tema, o AG pretende apresentar um panorama capaz de explicar como se dá o processo de gentrificação, seus atores, impactos causados e possíveis formas de resistência da sociedade civil.
Trata-se de um projeto de investigação com um recorte específico, tanto temático quanto temporal, e que tem início, meio e fim. O projeto foi 100% viabilizado com financiamento coletivo via Catarse.
*Para os fins deste projeto, usamos a definição de gentrificação como processo de expulsão de moradores pobres de determinada região por meio de um conjunto de medidas socioeconômicas e urbanísticas marcado pela hipervalorização de imóveis e encarecimento de custos. A palavra é uma adaptação do termo em inglês “gentrification”, que, em tradução livre, significa “enobrecimento de uma área” com a chegada de uma população de maior renda, uma população “nobre”.

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