terça-feira, 19 de março de 2013

Público e Privado...

Ando BEM meio desanimado com algumas coisas, tanto pessoal quanto profissional ou politicamente, o que tem me deixado bem pra baixo e acentuado uma depressãozonazinha que vem dando pinta de aparecer desde o final de ano passado. Ando meio descontente profissionalmente e pessoalmente, mas o que realmente vem me chateando é a vontade que sinto nas pessoas de não querer mudar as coisas.

Realmente estou me convencendo que tanto a comunidade do meu bairro/cidade, quanto a comunidade acadêmica e política querem que tudo continue como está, as mesmas práticas, o mesmo fisiologismo, os mesmos processos sem participação e antidemocráticos.

Retirado de FredRSki.


Dois casos muito graves!


A começar com a faculdade. Além dos processos toscos, antidemocráticos, centralizadores e praticamente despóticos praticados pela administração, corpo docente e diretorias do Centro Paula Souza, agora temos a replicação desse modelo pelos estudantes.

Há cerca de um mês, em Fevereiro, houve uma tentativa de "golpe" por um grupo de alunos em uma tentativa de criar um DCE (Diretório Central dos Estudantes) numa reunião chamada na FATEC São Paulo e pouco divulgada. Novamente, no início de Março, houve a mesma tentativa, numa reunião chamada e financiada pelo mesmo grupo, na FATEC Jundiaí. Ambas as reuniões tinham uma pauta sem prévia divulgação e com mesa coordenadora já eleita, aos presentes só seria dado o direito de acatar ou não os mandos.

Voltando um pouco...


Há pouco tempo ocorreu a desvinculação das FATECs com a UNESP, nisso o Centro Paula Souza tornou-se responsável interinamente pelas ETECs e FATECs. Em 2011 ocorreu a autonomia das FATECs em relação ao Paula Souza, a parte final de um ciclo que vem desde o início dos anos 2000. Tudo isso somado ao fato de ambas as instituições (FATEC e UNESP) serem muito mais espalhadas do que a UNICAMP e a USP, contribuiu para uma desunião estudantil, a "morte" de movimentos universitários atuantes e um período de penumbra na politização e participação dos estudantes unespianos e fatecanos.

Isso foi a cereja do bolo para a ascensão de grupos menos organizados, menores e menos poderosos, tornando possível a criação de uma entidade representante dos alunos das Faculdades de Tecnologia, aproximadamente 60 mil.

Voltando à reunião do início de Março, na FATEC Jundiaí, o mesmo grupo chamou "representantes" das unidades do estado (estavam presentes 22 unidades, de 56.), repentinamente. A intenção deles era aprovar um "estatuto" provisório dando a representatividade das FATECs para esse grupo, como comissão do DCE das FATECs.

Quando digo repentinamente é porque muitos só souberam que haveria uma reunião entre todas as FATECs na véspera. Os que souberam um pouco antes (segunda) e são a favor da construção de um DCE realmente democrático e correto tentaram barrar o processo que eles armavam, mas não conseguimos.

O grupo se utilizou de duas táticas para chamar o pessoal:
  1. a LAF (Liga das Atléticas das Fatecs), entidade mais organizada no meio estudantil e bem conhecida, mas pouco politizada. Convocaram muitas atléticas como representantes dos alunos para compor o circo da reunião sob o pretexto de discutir assuntos de esporte;
  2. os CAs, DAs e alunos dispersos de algumas entidades, pois tanto os Centros como Diretórios acadêmicos são raros nas FATECs. Muitos dos independentes chegaram pensando que seria uma reunião para iniciar a organização de um DCE, além de auxiliar a unidade a criar seu próprio diretório.


Por sorte o pessoal da FATEC São Paulo, Carapicuíba, Bauru e alguns outros conseguimos atrapalhar um pouco o propósito da reunião daquele grupo e mostrar para os outras FATECs que a reunião era completamente ditatorial, com pauta e mesa diretora já escolhidas. Conseguimos atrapalhá-los em aprovar um regimento interno e um estatuto que tiraram da manga para todas as unidades consentirem naquele momento e frustá-los em elegê-los como diretoria provisória do DCE das FATECs, contudo não conseguimos impedir que eles fossem eleitos para participar do CONEG da UNE em nome das FATECs (Na realidade a votação ficou 11 x 11, num pleito feito quando todos já estavam indo embora, arrumando a sala e o barulho era grande.) e impondo uma vontade que não era da maioria. O resultado que terivemos 10 pessoas do grupo golpista no CONEG se passando por um DCE que sequer existe...

A história não para por aí, descobri que há um estatuto do DCE da UNESP-FATEC de 2006 que, tudo leva a crer, ainda vale apesar de não terem seres vivos agindo na diretoria do mesmo. Estão querendo passar o carro na frente dos bois, e na ilegalidade! Conversamos com um pessoal da UNESP que se propôs a ajudar na desvinculação dos DCEs (como ocorreu administrativamente com as respectivas faculdades) e criar um novo estatuto para os fatecanos, entretanto o grupo está atropelando a todos com uma pressa que não existe e ações como a de ontem.

Por ultimo, dois casos que surgiram:
1. o financiamento (por quem?) de uma van para trazer o pessoal do interior (que, logicamente, boa parte votou junto com o pessoal do grupo golpista) e;
2. o financiamento (por quem?) de camisetas com os dizeres "Comissão Estatutária do DCE das FATECs" (umas 50 camisetas que foram distribuídas para o pessoal que veio).

As vezes é difícil ser "exatóide" porque não dá experiência com esse tipo de coisa... Por sorte sempre há pessoas que querem realizar as coisas do modo correto e os boa parte dos planos de golpe foram pelo ralo. Contudo o mesmo grupo tem se movimentado, agora por trás dos panos, para ter a maioria numa comissão estatutária, cooptando atléticas, CAs e DAs de FATECs, além de efetuar um cadastramento de um DCE FATEC (PDF), para o CONUNE, sem o mesmo existir.

...


Algo semelhante tem ocorrido no meu bairro/cidade, tenho visto a defesa de uma prática autoritária e nada participativa em coisas simples e complexas... a não divulgação de informações, vídeos de reuniões e o fechamento da reunião da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo, o atropelamento de processos legislativos, da consulta popular e das audiências públicas nas proposições tem me assustado. Junto a isso as velhas práticas da cooptação da mídia pelo ente político e uma dependência social da população, presa pelas amarras da mendicância de projetinhos que beneficiem precariamente/paliativamente os bairros...



Voltando a Faculdade, tem me desgastado muito o pensamento ora conservador ora neoliberal de alguns professores e de grande parte dos alunos, os preconceitos enraizados e a procrastinação... Ao ponto de ouvir de um professor responsável por lecionar sobre transportes de passageiros o desejo de que tudo devesse ser privado, pois o "estado não tem que se meter onde não tem competência para".

Tudo isso tem me doído demais...

Mas...


Retirado de FredRSki.

Domingo último resolvi ver TV! Não queria pensar muito e a televisão é a melhor invenção pra isso! Por dois momentos estive muito atento a este aparelho destruidor de mentes e e coloquei a pensar...

Primeiramente, pela manhã, com o filme 180° South, no Canal OFF (Não sei o motivo, mas curto os documentários e filmes desse canal.). Basicamente conta a história de um montanhista americano, que saiu do México a bordo de um veleiro para visitar amigos, na Patagônia chilena. No meio disso tudo ele fala sobre religião, humanidade, público e privado, e conservação do meio ambiente.

Não encontrei o documentário inteiro na internet, para que pudesse "embedar" aqui. Mas não custa vocês procurarem um pouco mais...

Aliás, encontrei no Youtube dividido em 3 partes e legendado em espanhol... Lo siento. =/ Vai aí abaixo.


Me deu uma vontade de voltar ao Chile... lembrei do cara do albergue, em Santiago, que iria fazer uma entrevista para o parque Torres del Paine, bem no Réveillon.

Retirado de FredRSki.

De noite, assisti um bom episódio de Undercover Boss (Ou aqui, site oficial.), da temporada 2010, sob o título de "Tower Hamlets", onde Kevan Collins que é uma espécie de subprefeito do bairro de Tower Hamlets passou por diversas áreas da administração se passando por "estagiário" afim de saber como se portavam e quais eram os serviços desenvolvidos numa comunidade às vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Fiquei boquiaberto com os trabalhos desenvolvidos para a comunidade, sobretudo os idosos. Vale a pena assistir o episódio. Contudo não encontrei o episódio disponível no youtube.


Enfim, a gente vai levando...

Frederico Sosnowski
Facebook: FB.com/frederico.sosnowski
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